terça-feira, 3 de março de 2015

Líder de seita vivia recluso em Pipa

A superintendência da Polícia Federal, em Natal, ainda não sabe a data exata para a extradição do norte-americano Victor Ardem Barnard, 53 anos, líder da seita religiosa “River Road Fellowship”, em Minesota, nos Estados Unidos,  preso na noite da última sexta-feira no Litoral Sul do Rio Grande do Norte. A PF não detalhou quanto tempo Barnard passou no Brasil. Em Pipa, no litoral de Tibau do Sul, distante 85 km da capital potiguar,  ele estava sob vigilância há seis meses. Durante esse tempo, viveu praticamente recluso. O apoio financeiro vinha da amiga brasileira com quem morava.

De acordo com o delegado federal, Christian Gomes, um ofício notificando a prisão do foragido já foi encaminhado, via Correios, para o Superior Tribunal Federal, mas ainda não há prazo para a assinatura do ministro Celso de Melo, remetendo o processo à polícia americana, que deverá organizar e custear a extradição. 

Victor Barnard teve mandado de prisão decretado pela Justiça dos Estados Unidos, que encaminhou o documento para o Superior Tribunal Federal (STF) em 2014. O norte-americano é acusado de ter praticado 59 crimes sexuais contra crianças e adolescentes entre os anos de 2000 e 2012, no estado de Minnesota. 


De acordo com informações de agentes da Segurança Pública do RN, o estrangeiro estava sob monitoramento policial há seis meses. Neste período, ele só foi visto em ambientes públicos em duas ocasiões - em um posto de combustíveis e uma unidade hospitalar – na companhia de uma brasileira, que, segundo a Polícia Federal no Estado, sustentava todas as suas necessidades financeiras. 

A Polícia Federal no RN e a Secretaria de Estado de Segurança Pública e de Defesa Social (Sesed) foram oficiadas da presença do estrangeiro no país e do mandado de prisão contra ele em setembro do ano passado, quando iniciaram a execução do pedido. Victor Barnard também era procurado em outros estados do país, que receberam o auto, pela Interpol e figurava na lista de foragidos da agência U. S. Marshals, organização da polícia americana para estes casos de capturas internacionais. 

A polícia chegou a Victor Barnard a partir de denúncias anônimas de moradores do condomínio que suspeitavam da presença de estrangeiro na casa, além da mulher. Com base nas informações, o pelotão da Polícia Militar em Pipa, passou a monitorar o local. Após seis meses de trabalho da PM e da Polícia Federal, em cooperação mútua, foi confirmada a existência de uma segunda pessoa no imóvel e que este seria um estrangeiro foragido. 

Quando um possível nome (Victor Ardem Barnard) foi descoberto pelos militares e constatou-se, através de consulta à Interpol, que se tratava do norte-americano, ocorreu a execução do mandado de prisão. Pelas informações apresentadas pela PM, a brasileira que deu  abrigo em Pipa e custeava todas as despesas, conheceu o foragido ainda nos Estados Unidos. 

O tenente Daniel Costa, que atuou no monitoramento e prisão do americano, relatou que a mulher tem 33 anos de idade e disse fazer parte da seita religiosa liderada pelo norte-americano. De acordo com a Polícia Federal, ela é natural de Sobral (CE) e supostamente seria uma corretora de imóveis. 

“Em depoimento, ela declarou que vivia de seis aluguéis, que lhe garantiam cerca de R$ 3.500 ao mês. Ela residiu na América durante alguns anos, para estudar, e apresentou um sotaque bem carregado, misturando inglês e português. Pelo que disse, o americano estaria apenas ‘dando um tempo’ no Brasil”, comentou o delegado federal, Christian Gomes.


Tribuna do Norte

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